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11.7.05

Reportagem: The Unplayable Sofa Guitar

Café Concerto da Casa Das Artes de Famalicão, 9 de Julho de 2005

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Quantas vezes a banda que nos gostamos ainda não a conhecemos? Por certo este problema é uma realidade comum a muito boa gente. Os The Unplayable Sofa Guitar (TUSG) são uma dessas bandas. Foram paixão à primeira audição! São a banda que muitos gostam e amam mas ainda não conhecem! O Mundo vive destas injustiças!

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Pelas mãos do conceituado produtor Paulo Miranda, a banda do “sofá” lançou já este ano pela Subotnick Enterprises em colaboração com a Bor Land um dos melhores e mais apaixonantes álbuns de 2005, e, apesar disso, continua a não dar muitos concertos pelo que o fim-de-semana passado com dois foi de alguma raridade…
No Café Concerto da Casa das Artes de Famalicão apesar do clima de festa que se vivia no exterior, do calor abrasador, e dos fogos, o clima era outonal. Sim outonal! Os tons de pastel agridoce embrulhavam-nos, estávamos abraçados aos elementos da banda. A proximidade e a intimidade do concerto a isso obrigavam. Porquê? Os TUSG fazem-nos sentir familiares e amigos, dão aconchego, e rebentam o mais incauto sentimento de frieza que possa estar guardado no nosso interior. Provocam reacções que julgamos não ser possível ter num concerto…

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A voz de Ana Figueiras cheia de simpatia cria nostalgia de um passado longínquo… presente. Presenteiam-nos com sabores alt-country em que Francisco “Old Jerusalem” Silva se revela de forma consistente membro essencial na nova formação, sempre na presença discreta e com olhar calmo e sobranceiro de Paulo Miranda. Dão-nos a mão por entre os dois álbuns editados (o recente Rocky Grounds, Big Sky, e o homónimo de 2002), roupagens novas… Tudo durante cerca de uma hora em fomos levados pelo majestoso rio Mississipi a bordo de um belo barco a vapor com passagens frequentes pelo Tennessee. Viagem essa feita ao ritmo da queda das folhas acastanhadas das árvores frondosas que ladeiam os canais, enquanto se avistam ao longe campos desertos que em tempos testemunharam e foram palco de tragédias. O trago de álcool forte que perfura o esófago, no recanto da lareira e sempre sentados no sofá, o mesmo por onde todos os músicos que passam pelos estúdio de Paulo Miranda se sentam. O mesmo que não “tocando” faz parte do cenário, seja onde for, com quem for, bastando para isso sentir, viver, e viajar pela crueza da vida, a crueza da música. A simplicidade embrulhada na verdade dos sentimentos de quem faz música por amor, mesmo que seja em Viana do Castelo do outro lado do Atlântico. Leve-se ao altar profano ou religioso, pouco importa, e perdoe-se o que há a pedir perdão A dificuldade ou mestria da distância é patente nas emoções despertadas… A estupidez de quem ouve perante o que não sabe escrever… A dura, cruel e bela “Dad’s Gun” a terminar viagem na certeza que se queria dizer muito e não disse a ponta de um chavo. Certo de que algo transcende a possibilidade de escrever o que se sentiu, só há uma solução para crer no escriba, ou chamar-lhe de louco: ver o próximo concerto dos TUSG.
Se por um qualquer acaso precisarem de ajuda para carregar os instrumentos pelas escadas até ao terceiro, não se acanhem. Por favor… disponham! Obrigado desde já!

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