Reportagem: Fanfare Ciocarlia
Grande Auditório da Casa das Artes, 24 de Setembro de 2005

Há cerca de 15 anos era usual que o ritual de uma ida a um concerto fosse preparada com muita antecedência. Os concertos eram poucos, os transportes escasseavam. A loucura contida era muita e o extravasamento durante o ritual era caótico, confuso, paranóico. A entrada dos músicos era muito aguardada e, ao primeiro sinal dos mestres de cerimónia era a loucura! Invasões de palco, subidas às colunas, mergulhos para o público, alguns membros do corpo partidos, bastantes nódoas na carne, e um dia de felicidade, de festa… pura e dura. As pessoas crescem, o som que ouvem vai-se (nalguns casos) mudando, e a sua atitude vai-se pacificando. Os locais dos concertos são outros, mais confortáveis, e desfrutar de um concerto sentado passou a ser… quase sempre fundamental!
No passado dia 24 por percalços da vida moderna chega o escriba atrasado ao concerto da Fanfare Ciocarlia. Sabe, (ou imagina), que deve esperar festa. Sabe que o cineasta alemão Ralf Marschalleck, em 2002, lançou um documentário - “Brass on Fire” – sobre aquela que porventura é a brass band mais rápida do Mundo. Sabe que o grupo cigano proveniente da aldeia romena Zeca Prajini, situada a 1 km da fronteira moldava, é cada vez mais um dos colectivos mais respeitados e requisitados da world music, sabe estas entre outras coisas, mas não sabia que mal entrasse no corredor de aceso à sala iria encontrar o mesmo num caos semi-(des)controlado… O público já ocupava os corredores. As cadeiras pareciam ter cada vez menos gente sentada. Em palco vêem-se 11 músicos festejando! È uma festa espectacular aquela a que assistimos da fanfarra cigana que representa a tradição balcânica ao mais alto nível, sempre impregnada de arranjos delirantes (em comunhão do imaginário cinematográfico de Emir Kusturica), sem esquecer o fresco de sonoridades como o jazz… misturado com uns belos tragos de vinho tinto!
No passado dia 24 por percalços da vida moderna chega o escriba atrasado ao concerto da Fanfare Ciocarlia. Sabe, (ou imagina), que deve esperar festa. Sabe que o cineasta alemão Ralf Marschalleck, em 2002, lançou um documentário - “Brass on Fire” – sobre aquela que porventura é a brass band mais rápida do Mundo. Sabe que o grupo cigano proveniente da aldeia romena Zeca Prajini, situada a 1 km da fronteira moldava, é cada vez mais um dos colectivos mais respeitados e requisitados da world music, sabe estas entre outras coisas, mas não sabia que mal entrasse no corredor de aceso à sala iria encontrar o mesmo num caos semi-(des)controlado… O público já ocupava os corredores. As cadeiras pareciam ter cada vez menos gente sentada. Em palco vêem-se 11 músicos festejando! È uma festa espectacular aquela a que assistimos da fanfarra cigana que representa a tradição balcânica ao mais alto nível, sempre impregnada de arranjos delirantes (em comunhão do imaginário cinematográfico de Emir Kusturica), sem esquecer o fresco de sonoridades como o jazz… misturado com uns belos tragos de vinho tinto!
E se de repente forem ao público buscar uma senhora para dançar em palco… isso é normal. E se ela se sentir na maior, e se nós perdemos a compostura (se alguma vez a tivemos), e se as a confusão vai reinando na sala num ambiente progressivamente caótico, algo delirante e deslumbrante… pois bem, nada como sair do palco, atravessar o corredor e dessa feita sempre em ritmo, sair para o átrio e continuar a festa como se fosse um casamento lá em Zeca Prajini. Nós ao lado dos músicos, os músicos no nosso meio, abraços e danças deles connosco, notas que voam do piso superior (sim em baixo já não havia lugar para esses) e outras do seu lado, todas acabam coladas na cara de um dos elementos… Vai mais uma foto e um abraço enquanto a fanfarra não pára. Vai mais uma dança (que nunca parou). Até que no ambiente que se vive há uma certeza, ou eles saem dali, ou mais ninguém arreda pé até cair para o lado… Assim foi… Infelizmente verificou-se a saída dos músicos.Seguramente que dali mais ninguém teve dúvidas que “Gili Garabdi - Ancient Secrets of Gypsy Brass” o seu último registo, é apenas mais um duma discografia que todos quantos não conhecessem passaram a sentir necessidade de conhecer…




