Reportagem: “Turning” (Antony and the Johnsons / Charles Atlas)
Há dois anos atrás, nem mais nem menos, Antony estava em Portugal (sem os The Johnsons) para assegurar a primeira parte das Cocorosie. Nessa altura Antony já dispunha de algum culto no meio mais underground graças ao seu registo de estreia “Antony And The Johnsons”, que vê a luz do dia em 2000 pelas mãos da editora de David Tibet, tendo mais tarde colaborado ainda com Lou Reed. Desde há dois anos a esta parte, Antony capta a atenção do mundo após o lançamento de “I Am a Bird Now”, e acaba por vencer em 2005 (pouco depois de nova passagem pelo nosso país mas com os The Johnsons) o Mercury Music Prize de 2005. Desde então o culto em torno da sua música, da sua voz, e da sua figura, cresce a um ritmo imparável, sendo actualmente um dos artistas pop mais requisitados no Mundo. O seu regresso a Portugal faz-se com “Turning”, um espectáculo que combina a música doce e emotiva de Antony, às imagens de Charles Atlas (captadas e manipuladas no momento), numa data única no nosso país, no renovado Theatro Circo em Braga há muito esgotado. Se a isto juntarmos o facto de este espectáculo ter sido apresentado apenas em mais quatro salas europeias nesta tournée, num total de 7 datas, percebe-se toda a entrega por parte do público associada à enorme devoção que trouxe de todo o lado fãs indefectíveis para assistir à noite mágica que se viveu.
“Turning” é muito mais que um concerto, é um espectáculo
É a pop autobiográfica que cruza géneros para além dos sexuais. É-o tão genuína como sentida, frágil, de relação intimista. Antony percorre as suas composições com novos arranjos, e só em “Hope There's Someone” se senta ao piano para o momento mais intenso e arrepiante da noite. Não menos atrás, recordarão todos os presentes para sempre aquele enorme momento de silêncio a meio de “I Fell in Love with a Dead Boy” que ninguém ousou interromper. Momento mágico em que nem a respiração do vizinho do lado se sentiu. Para o fim uma enorme ovação (das maiores a que já assisti até hoje), sincera, antes de “You Are My Sister” que marca o fim de um espectáculo apenas quebrado antes deste último tema em encore por um tímido “Obrigado”. Obrigado dizemos nós, a ele, a quem o acompanhou, e a quem teve a bondade de o trazer até nós… Até uma próxima, e que mais uma vez seja breve!



