Som Activo

6.3.07

Reportagem: Maximilian Hecker

Sala Principal do Theatro Circo, Braga, 17 de Fevereiro de 2006


Nenhum concerto se repete. Se tal acontecesse, por qualquer motivo, passaríamos a ter a sensação permanente, mais do que dejá vú, de cópia. E o de Maximilian Hecker superou quase tudo o que tinha visto até hoje, pelo surrealismo da coisa, entenda-se. Não que fosse mau, longe disso, mas a desconexão das peças ali presentes eram tão grandes que o simples tentar perceber do que ali se passava transformavam a noite num conto fantástico, delirante.

Maximilian Hecker, vindo da Alemanha, país a quem se coloca facilmente uma conotação fria aos seus habitantes… é frio! Tem uma voz doce, de embalo. Compõe pop delicodoce capaz de sussurros impiedosos no sexo oposto. Faz-se acompanhar de uma banda, que se não é excelente, é extremamente competente, e profissional, dissipando de imediato algumas névoas que pairaram sobre alguns concertos mais recentes na mesma sala.

Ora à guitarra, ora sentado em frente a um teclado, embora desajeitado é muito comunicador. Fala entre temas. Fala, e fala… e fala! Fala como raras vezes se vê. Afinal tratava-se de um concerto. E se aparentemente as suas conversas num inglês sofrido de quem não o domina e não tem todo o vocabulário que necessita são de histórias da sua vida, de viagens, amores e desamores, simultaneamente pensamos: “o que tenho eu a haver com isso?” Nada seguramente. De facto as suas vivências desde a infância são o elemento central de um concerto onde a música assume o papel principal (se é que se percebe isto!). Desde a narração da sua “primeira vez” atrás de um arbusto, até ao como um arroto em Taiwan pode não ser sinal de boa educação (ao contrário da China, porque sim, Taiwan não é China apesar de tudo sr. Hecker, como alias se deu conta no momento de má educação), a noite foi decorrendo a um ritmo cadente, com marcas de embriaguez, que se não alcoólicas, pelo menos pelo incómodo de estar em cima de um palco, como alias fez questão de frisar. É que afinal ser-se artista, é ser-se alucinado, e mesmo antes do um grande momento romântico dedicado a todos os casais ali presentes, lançar um brutal arroto… é digno! “Em Portugal não é boa educação fazer isto, pois não?” Não, mas estás perdoado. Se voltares, não voltes sóbrio! A lucidez por vezes é inimiga dos Artistas!

Bom! Bonito! Irónico! Surreal!

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