Reportagem: Moonspell
5ª Mostra de Música Moderna Portuguesa dos Arcos de Valdevez, Auditório da Casa das Artes, 24 de Fevereiro de 2007
Qualquer concerto é único, como alias já o havia referido. Irrepetível é o que se pretende. O concerto dos Moonspell nos Arcos de Valdevez foi assim, único, e talvez irrepetível. Porquê? Porque os Moonspell não andam nisto há dois dias, porque têm uma enorme legião de fãs, e porque costumam encher recintos por esse Mundo fora, e porque as lotações nunca são em nada semelhantes ao daquela noite. Cerca de 240 lugares era a lotação da sala que esgotou, repleta de cadeiras que preocupavam Fernando Ribeiro. Segundo o próprio, antes do concerto, teve receio de "estar a tocar numa espécie de biblioteca." Na verdade o auditório da Casa das Artes dos Arcos de Valdevez permite uma relação única com o espectador. O palco está em cima do público, quase no verdadeiro significado da palavra, já que onde termina o palco, começam as filas de cadeiras que permitem a qualquer elemento do público colocar lá os pés, subir para cima dele, enfim, tornar-se parte integrante do concerto. E foi a isso que Fernando Ribeiro apelou, que o público desfrutasse das condições ímpares do mesmo, numa sala onde as bocas e diálogos são perceptíveis de ambas as partes, sem necessidade de recursos a amplificações, e não houve também constrangimentos quanto a isso.
No meu intimo tinha feito uma aposta, conhecendo os fãs de Moonspel, nem 10 minutos daria para que as cadeiras deixassem de fazer sentido, e de pé, todos celebrassem o momento, único, irrepetível. Pois bem, desde a entrada efectiva do inegável, e inigualável líder que é Fernando Ribeiro, não passam nem 10 segundos para que tal se verifique, ao som de “Lowering Skies”. É a ânsia de celebração, o êxtase da situação, o desejo de viver o momento. Temas entoados em cântico, uma banda a dar como sempre o seu melhor, a agradecer a disponibilidade do público, e o agradecer pela situação de comunhão. Um público com um comportamento exemplar que apenas sentiu o concerto de forma pacífica como por vezes não se quer fazer querer… Celebração! Devoção! Paixão!
No meio deste cenário idílico, há um homem das guitarras, Ricardo Amorim, que tem, como afirmou, metade daquele corpo com origem naquelas terras. E depois há um jogo de luzes fabuloso, e há ainda como cenário uma estrondosa imagem retirada de “Memorial”, e aquele som que supera o pensado, é que afinal de contas elevar os decibéis tornando-os sempre limpos à saída das colunas num espaço tão pequeno, também é digno de registo. E o alinhamento passa, não só pela visita (de forma coesa), aos mais recentes registos "Darkness And Hope", "The Antidote" e "Memorial”, mas tem ainda pérolas do passado em quantidades assinaláveis como “Opium”, “Wolfshade (A Werewolf Masquerade)”, “Alma Mater”, “Vampiria”, “Awake”, “Mephisto” e “Full Moon Madness”. Irrepreensível, de facto. Mas houve ainda um agradável surpresa retirada do baú. Sacado de "Under The Moonspell", “Tenebrarum Oratorium (Andamento I / Erudit Compendyum)" faz o gáudio dos fãs. Tudo, sempre, num clima emotivo, festivo… e único! Houve ainda momentos para que Aires Pereira, o louco baixista que criou um fabuloso ensaio sonoro sobre “Carmina Burana”, recebe-se de Fernando Ribeiro e Pedro Paixão o disco de ouro do “Memorial” e o Prémio MTV Best Portuguese Act. Àh, e não se esqueceu, Fernando Ribeiro, de em resposta aos sucessivos apelos para que interpretassem a versão do “Noddy” celebrizado no “Gato Fedorento”, de explicar que nutrem um enorme ódio pelo “Nódulo”, e que aquilo não passou de uma brincadeira…
Continuou…
Celebração! Devoção! Paixão!
Acabou!
Celebração! Devoção! Paixão!
Texto: Rui Ribeiro e Ana Sofia
P.S. Há um enorme lamento a fazer. A máquina que albergaria as belíssimas fotos deste concerto teve um acidente durante o mesmo, e foi-se. Para compensar tal facto deixo aqui dois vídeos do tasco vizinho “Recortes do Silêncio”.
From Lowering Skies
Wolfshade (A Werewolf Masquerade)


