Som Activo

8.4.07

Reportagem: Bonnie ‘Prince’ Billy + Faun Fables

Sala Principal do Theatro Circo, 4 de Abril de 2007



Bonnie ‘Prince’ Billy é um nome maior da dita chamada nova folk. Nome incontornável do rol de músicos, cantores e compositores, que embalam, encantam, e destroem corações, assim, de forma separada, de forma conjunta. Cada nota, cada verso, no encontro com os poros arrepiados do embalo do sopro que vem daquela voz rouca. Rouquidão que percorre milhares de quilómetros pelas estradas desse mundo acompanhado por uma guitarra que entretanto se partiu três dias antes de subir ao palco da majestosa Sala Principal do Theatro Circo, muito bem composto para receber o mestre.

Na sua apresentação de “The Letting Go”, o último majestoso registo do homem barbudo com ar de campónio, de nome Will Oldham também conhecido por Bonnie ‘Prince’ Billy, “Palace Music” ou “Palace Brothers”, as histórias voam tão suavemente, como comoventemente. A simplicidade estonteante com que presenteia o público comove. Mesmo que não tenha visto lágrimas como na sua última passagem por Portugal no Blá Blá em Matosinhos, sentiu-se no ar efervescência, excitação, emoção, comoção, tensão até. Trauteador de vidas, nossas, comuns e distantes, Bonnie ‘Prince’ Billy de mal-me-quer à cinta, é um apaixonado não correspondido. Diriam muitos que será o Tony Carreira da malta indie…. Na verdade as suas letras atacam ferozmente o público, com acutilância, a mesma que os fez ficar presos, estáticos durante cerca de duas horas, independente de no dia seguinte se trabalhar, e o adiantar da hora pedir outro conforto. Árdua a tarefa a de segurar centenas de pessoas apenas com uma guitarra durante tanto tempo, mas simples, se genuína. Foi assim, uma bela, grande, e calorosa noite…, que ainda se tornou maior no momento em que ao palco subiu Dawn McCarthy, vocalista dos “Faun Fables” que fez duetos consigo no seu último disco.

“Love Comes To Me” foi por isso mesmo apenas um hino dos vários maiores, entoados entre os grandes e a receber o calor daquela imensa minoria…!


Texto: Rui Ribeiro


No início da noite Dawn McCarthy entra pela porta principal da sala cantado acapella para o espanto de muitos. Nils Frykdahl surgiria em palco de guitarra e dão a conhecer os Faun Fables. Por entre ritmos modernos simultanemante ancestrais, os Faun Fables parecem saídos de um quadro algures entre os Alpes com a estrada 66 a acompanhar o percurso, americano, com o neoclássico no fundo das colunas… Misticismo, tragédia, os sons épicos e a teatralidade, fazem deste duo uma surpresa maior numa noite que já de si se tornaria grande, e tiveram no contraste de vozes um esplendor capaz de gerar sensações de amor-ódio. O gutural-tribal de Nils conjugado com o quase-celestial-operático-medieval de Dawn são o elemento maior no meio de surpresas tão dispares quanto “Dancig Days” dos Led Zepplin, ou uma série de temas dedicados à Virgem Maria (que em plena semana santa acresce outro significado). O (en)canto fabuloso, qual conto, fábulas, os Faun Fables.



Texto: Ana Sofia

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