Som Activo

23.4.07

Reportagem: Patrick Wolf

Sala Principal do Theatro Circo, 19 de Abril de 2007


Patrick Wolf, músico multi-instrumentista britânico de apenas 23 anos e já com três belos registos discográficos, apresentou-se num Theatro Circo muito bem composto para o receber de forma tão paciente, quanto inquieta e calorosa.



Numa figura esguia qual Peter Pan de collants, Patrick Wolf ao assumir o palco pela lateral provoca de imediato uma enorme sensação de estranheza a todos aqueles que ainda não tinham visto imagens do concerto do dia anterior em Lisboa. É que vê-lo surgir com calcinhas de lycra com padrão de zebra, é uma imagem pouco inspirada, muito desajeitada para a figura que nos criou no imaginário. Mas ao longo do grande concerto com que presenteou o público a sua indumentária viria a assumir um papel cada vez menos desconcertante fruto da postura ligeiramente efeminada.


Atacando quase de imediato o concerto com o tema de abertura do novo, intenso e doce disco pop "Magic Position" – "Overture" – Patrick Wolf divide-se entre o violino e o piano, entre temas mais introspectivos e delicodoces, com os ritmos e batidas intensas que provocam necessidade de mexer corpo. O seu, esse, mexia-se incansável, quase que inconsolável por um palco que bem podia ser outra coisa mais macia, e menos agressiva aos seus rastejos, e quedas de joelhos assim que meio pensadas, embora descontroladas. Era o furor e a loucura a aquecer o íntimo do público, que cresce, à medida que ia controlando o desejo do descontrolo.



A maturidade demonstrada por Patrick Wolf não é muito comum, e o facto de vir acompanhado por um baterista, um contrabaixista, uma violinista e um homem agarrado ao latpop, permitiu que o "lobo" se soltasse exultando o intimo subconsciente (ou talvez não!) numa sempre e clara postura sexual. E numa altura em que anuncia praticamente o final do concerto, temos que procurar e agradecer a uma jovem que não se contém e assume a frente do palco numa entusiasmante dança ao som de “The Magic Position”. Seria o início de uma nova fase, da chegada de dezenas de pessoas até à frente do palco exultando com o corpo a devoção por quem as encantava. O concerto não acabaria aí, e duraria mais uns minutos (sente-se P. Wolf entusiasmado com os presentes) que o de Lisboa a fazer fé nos relatos. Não era para menos, pois chegara a altura em que a festa deveria ter realmente inicio. O culminar da noite seria ao som de “Feels Like I'm In Love” o hino do disco dos 80’s celebrizado por Kelly Marie. E para recordar com única nota negativa, o volume excessivamente alto qual um clube nocturno.



Fotos: Rui Ribeiro
Texto Ana Sofia

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