Reportagem: Joanna Newsom + Alasdair Roberts
A jovem californiana surgiu na majestosa sala do Theatro Circo, que, mais uma vez, parece desenhada à medida para a ocasião, para apresentar o fabuloso “Ys” de 2006, acompanhado de mais três músicos - um percussionista, uma violinista que ajuda com a sua voz, e um tocador, ora de banjo, ora daquilo que parecia uma bandola.
Toda de branco, angelical, reporta-nos para o imaginário de contos e fábulas, embora com estórias reais, num ambiente sonoro que nos reporta também a um quê de época renascentista, embora aquilo que toca seja para muitos chamado de nova folk, ou New Weird América.
O momento de maior emoção acabou por ser de forma natural, a interpretação a solo de “Sawdust & Diamonds” que fez acender a chama da nostalgia de se ter sido criança, que provocou maior intensidade na saudade de ser ingénuo, que fez aumentar a devoção por aquela voz frágil, com agudos e gritinhos que só a própria consegue fazer, e que, ou se ama, ou odeia. A custo acabaria também por interpretar “Only Skin” a pedido do público, embora confessasse que não estar preparada para o fazer. As ovações de pé sucederam-se a cada saída, e o lamento foi de tudo ter de ter um fim.

Teria sido seguramente melhor se Joanna Newsom tivesse vindo acompanhado por uma orquestra como o fez noutros locais, mas o que se pode pedir de um anjo terreno? Nada mais do que aquilo que sozinha, e com um ensemble, pode oferecer!
Um dia quem sabe, sobe, com ajuda da cidade dos arcebispos, na hierarquia da Igreja.

Na primeira parte Alasdair Roberts mostrou mais uma vez o problema de muitos songwriters, o de estar só em palco, desconfortável, a dar sinais de fraqueza a cada nota, e que, nesta caso, a voz em nada ajudou. Exceptuando um ou outro momento apenas instrumental, Alasdair Roberts, por assim dizer, foi tempo quase que perdido…


